Neurologista CRM 770

Fadiga Crônica

Algumas pessoas consultam devido a fraqueza geral ou cansaço  que as aflige de modo permanente mesmo sem praticar esforços.
Este estado é denominado FADIGA CRÔNICA se estiver presente por alguns meses.
Existem outros nomes para esta condição: encefalomielite miálgica e mais recentemente há a sugestão para unificar sob o título de Doença Sistêmica com Intolerância aos Esforços (do inglês, Systemic Exertion Intolerance Disease – em tradução livre do autor.
Trata-se de uma condição debilitante, a pessoa sente-se incapaz para muitas ações e quase sempre piora após esforços. Esta fraqueza vem acompanhada de outras queixas como dores musculares (mialgias), distúrbios emocionais e cognitivos e sensação de desfalecimento.
O diagnóstico é feito por critérios clínicos não havendo nenhum teste diagnóstico definitivo. Entretanto há necessidade de excluir diversas doenças que podem provocar fraqueza. Para tanto tornam-se importantes o conhecimento médico e diversos exames complementares.
As principais doenças que provocam quadro parecido com Fadiga Crônica  são de causas reumatológicas (lúpus, polimialgia reumática, artrites, arterites), endócrinas (hipotireoidismo, insuficiência suprarrenal), hematológicas (anemias), infecciosas (viroses, hepatite, tuberculose), neurológicas (polineuropatias, miastenia) e psiquiátricas (depressão). Citamos apenas alguns exemplos  para demonstrar a dificuldade do diagnóstico.
Existem critérios clínicos para a suspeita da Fadiga Crônica, o mais conhecido é o do CDC (Center for Disease Control,  Estados Unidos).
Critérios do CDC
Fadiga severa por mais de 6 meses e com pelo menos 4 dos seguintes sintomas:
  • Dor de cabeça que iniciou junto ou depois da fadiga, de qualquer padrão ou intensidade
  • Dores articulares sem edema ou eritema
  • Dores musculares
  • Acentuação da fraqueza e mal estar após exercícios  durando mais de 24 horas.
  • Prejuízo de memória recente e falta de concentração
  • Dor de  garganta
  • Pequenos  gânglios linfáticos doloridos
  • Distúrbios do sono que  não é repousante
A história médica deve ser colhida detalhadamente e os exames físico e neurológico  executados com atenção.
Alguns sintomas e sinais devem ser pesquisados  porque  podem indicar outras causas: dor torácica e precordial, alterações no exame neurológico, sinais articulares inflamatórios linfoadenopatias, perda de peso,  dificuldade respiratória, depressão severa ou distúrbios mentais evidentes. O diagnóstico definitivo  depende de todos esses cuidados.
É importante valorizar a queixa do paciente  e realizar toda esta extensa investigação porque o diagnóstico preciso é fundamental para dar segurança de que não se trata de doença grave ou fatal.
A conduta  inclui, além de medicamentos, atividade física que deve ser  prudente (iniciar levemente para não piorar o quadro),  progressiva (aumentando com cuidados) e persistente (não desistir), que é talvez o principal elemento  para a recuperação da fadiga.  Terapia cognitiva comportamental específica para Fadiga Crônica é também muito importante e deve ser indicada para alcançar o sucesso desejado.

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