Neurologista CRM 770

Enxaqueca

Existem mais de 200 tipos de dores de cabeça (cefaleia) segundo a Classificação Internacional

das Cefaleias.

As 3 mais comuns são a enxaqueca, a cefaleia tipo tensão e a cefaleia crônica diária.

As 2 últimas já foram divulgadas no site.

Vamos falar então sobre a enxaqueca também conhecida como migrânea, que é a segunda doença mais comum no mundo e importante causa de incapacidade temporária.

A enxaqueca quase sempre começa na infância ou adolescência mas pode surgir em qualquer outra época, especialmente antes dos 55 anos. É mais frequente na mulher (3 para 1 homem).

Tem fundo genético,  geralmente transmitida pela mulher, sendo um dos fortes critérios diagnósticos a presença de familiares próximos com o mesmo padrão de dor de cabeça.

A enxaqueca se caracteriza por dor pulsátil (latejante), de um lado ou de toda a cabeça, mais na metade anterior.  A dor pode alternar de lado em crises subsequentes  mas costuma ocorrer mais de um determinado lado. Evolui em crises com intervalos variados de poucos dias a meses e cada crise dura de 4 a 72 horas.

Nas crises quase sempre há náuseas (enjôo) ou vômitos, exacerba com claridade ( fotofobia), com sons altos ( fonofobia),  com movimentos ou esforços físicos. Daí que a pessoa procura repousar, em ambiente escuro e silencioso. O sono promove grande alívio.

Em parte dos casos a dor é precedida por sintomas (o que se chama de “aura”) que duram minutos  e vão esvanecendo quando a dor inicia e se acentua.  Este tipo denomina-se enxaqueca com aura ou clássica. Os sintomas mais frequentes na aura são os visuais como pontos brilhantes de diversos formatos em parte do campo visual ou embaçamento  ou mesmo perda visual parcial. Podem também ser o aparecimento de formigamento num segmento do corpo ou dificuldade para falar ou vertigens rotatórias.

As crises podem ser espontâneas, mas geralmente há fatores desencadeantes que a pessoa passa a reconhecer à medida que as crises vão se sucedendo. Os enxaquecosos  percebem a influência de alguns alimentos ( melancia, frutas cítricas, chocolates, queijos fortes, por exemplo) e alguns tem intolerância a aromas e perfumes.

Os fatores hormonais estão bastante relacionados com a enxaqueca na mulher (menstruação e anticoncepcionais pioram, enquanto gravidez e menopausa atenuam).  Ver o texto CEFALEIA NA MULHER neste site.

Muito importantes no aumento da frequência da enxaqueca são os transtornos emocionais e as noites mal dormidas.

O neurologista estabelece o diagnóstico através das informações prestadas pelo paciente, os exames clínico e neurológico são sempre normais. Exames complementares são normais mas devem ser realizados porque servem para excluir doenças parecidas com enxaqueca.

O tratamento pode ser abortivo, usado apenas quando inicia a dor, no caso de crises esporádicas e não tão intensas. Torna-se necessário o uso contínuo, profilático, de medicamentos, quando for frequente ou incapacitante. Alguns medicamentos tradicionais são eficazes para a maioria dos casos.

Recentemente foi lançado um medicamento  que é utilizado por via subcutânea uma vez ao mês, com eficácia superior aos medicamentos por via oral.

Aparelhos neuromoduladores que são colocados em contato com algum ponto do crânio e que emitem estímulos elétricos, podem ser úteis no tratamento da crise ou na profilaxia.

Recomenda-se NÃO tomar medicamentos sem orientação médica e evitar usá-los com muita frequência, pois isso é prejudicial, a dor de cabeça torna-se quase diária e cada vez mais resistente. Ver o texto CEFALEIA CRÔNICA DIÁRIA neste site.

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