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Unidade de Vídeo EEG é eficiente para diagnóstico em epilepsia

Unidade de Vídeo EEG é eficiente para diagnóstico em epilepsia.

A epilepsia é uma doença crônica de grande abrangência. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), é o transtorno cerebral mais frequente na população. Durante a infância, é comum a necessidade de educação e cuidados especiais, o que pode comprometer o orçamento familiar. Na idade adulta, a imprevisibilidade das crises e por afetar a consciência, costumam gerar muitas licenças de trabalho e até a perda do emprego, o que, consequentemente, leva à dependência financeira.

Além de interferir na qualidade de vida do portador, a epilepsia acaba promovendo um enorme ônus financeiro para os provedores de saúde, governamentais ou privados. Perda da produtividade em epilepsia é igual à soma das perdas que ocorrem em diabetes, depressão, ansiedade e asma juntos, de acordo com um estudo feito em 2012.

O tratamento mais comum é o uso de fármacos por tempo prolongado, geralmente para toda a vida. Os recursos farmacológicos estão se desenvolvendo progressivamente, aumentando o arsenal terapêutico disponível. No entanto 30% dos casos de epilepsia continuam resistentes aos tratamentos clínicos. Estes casos refratários possuem baixa qualidade de vida, ficam afastados do mercado de trabalho, sofrem discriminação social, não produzem, exigem cuidados e atenção permanente de familiares, necessitam de assistência médica frequente e de auxílio financeiro do governo. E o que é mais relevante: são pessoas que têm que suportar um grande sofrimento físico e emocional. Alguns deles podem também ter distúrbios comportamentais, que vão desde a apatia até a agressividade. A epilepsia refratária é uma doença progressiva, as crises vão se tornando mais resistentes e comprometendo as funções cognitivas dos portadores.

A boa notícia é que, para estes pacientes em que as crises não são controladas com medicamentos, existe a possibilidade de que a cirurgia possa favorecer o prognóstico. Em casos rigorosamente selecionados, pode-se obter o controle das crises em mais de 60% dos casos operados. Esta estatística é confirmada em vários centros mundiais de cirurgia de epilepsia, incluindo os brasileiros.

Para definir se estes pacientes que não respondem ao tratamento medicamentoso podem se submeter à cirurgia, eles são internados na unidade de VIDEO-EEG. São instalados eletrodos de EEG que permanecem por dias, até que o paciente sofra uma crise epiléptica que é registrada e gravada em vídeo. São necessárias, em média, cinco crises e para isso costumam ser necessários de cinco a 10 dias de monitorização. São realizados também exames laboratoriais, incluindo determinação do nível sanguíneo do(s) fármaco(s) antiepiléptico(s), ressonância magnética do crânio, histórias e exames neurológico e psiquiátrico.

Além disso, são feitos testes neuropsicológicos, que são fundamentais para a investigação, para determinação do tipo de comprometimento e localização topográfica das manifestações clínicas. Em seguida, todos estes métodos investigativos são minuciosamente analisados por uma equipe multidisciplinar, que irá diagnosticar o tipo de crise e a síndrome epiléptica em questão. Quando os dados finais conseguem determinar com precisão o local de origem das crises e se não existir riscos de danos secundários, é indicada a cirurgia àquele paciente e determina-se qual é o tipo mais indicado.

Em nosso serviço, após esta fase de investigação, um em cada dois ou três pacientes recebe indicação cirúrgica. No entanto, pode acontecer que esta avaliação não seja suficiente para a definição e seja indicado o prosseguimento da investigação utilizando outros métodos, como colocação de eletrodos na superfície do cérebro ou na sua profundidade, ou através do forame oval, técnicas que exigem cirurgia. Com os eletrodos implantados, o paciente retorna à Unidade de Vídeo-EEG para novos registro

A monitorização por VIDEO-EEG é um método seguro e resulta em boa relação custo-benefício pelas seguintes razões:

  • promove diagnóstico preciso do tipo de crise epiléptica, facilitando a escolha da melhor e mais eficaz medicação, evitando gastos com drogas inapropriadas;
  • define quando são crises não epilépticas, evitando o uso de medicações antiepilépticas, ás vezes em combinações, com alto custo;
  • orienta para indicação cirúrgica, o que reduz o uso de fármacos e pode obter-se a cura da doença.

 

Dr. Sebastião Eurico Melo-Souza

 

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