Neurologista CRM 770

Síndrome de Guillain-Barré

Esta condição foi descrita pela primeira vez em 1916 pelos médicos franceses Guillain, Barré e Strohl. A incidência mundial fica entre 1.2 a 2.3 casos por 100 mil pessoas por ano.
Por síndrome entende-se um conjunto de sintomas e sinais que podem decorrer de causas diferentes; em outras palavras pode haver várias causas que se apresentam com um mesmo quadro clínico.
Na síndrome de Guillain-Barré ocorre isto e pode ser provocada por causas diversas, mas muitas vezes não se encontra uma causa evidente. Nesta condição, ocorre uma inflamação nas raízes de origem dos nervos periféricos, assim que saem da medula espinhal para fora da coluna vertebral. É classificada, portanto, como uma polirradiculoneurite.
Estas raízes são compostas de fibras nervosas motoras (que controlam a força de contração dos músculos) ou de fibras sensitivas (que captam todos os estímulos sensitivos da pele e de outros órgãos e os transmitem para o cérebro). As fibras nervosas são envolvidas por uma bainha de material gorduroso chamada de mielina, que facilita a transmissão dos impulsos nervosos motores ou sensitivos.
Na maioria dos casos de síndrome de Guillain-Barré é a mielina o alvo da inflamação, provocando desmielinização da fibra nervosa o que diminui ou abole a transmissão nervosa. Se é a própria fibra nervosa a atingida a gravidade costuma ser maior.
O motivo da inflamação é a formação de substâncias (anticorpos) que atacam a mielina e/ou a fibra nervosa. Este mecanismo pode ser desencadeado por agressões de diversos tipos como infecções respiratórias ou gastrointestinais, por vacinas, por cirurgias. Dois terços dos pacientes referem algum tipo de infecção nas 3 semanas precedentes. Como bactérias e vírus podem estar relacionadas à síndrome, vem ocorrendo casos associados à dengue e à zika, isto já sendo conhecido pelos neurologistas.
A doença se caracteriza por perda de força muscular que costuma iniciar pelos membros inferiores tomando caráter ascendente até atingir os membros superiores. Em casos mais graves, os músculos do pescoço e face podem ser atingidos assim com os da respiração levando a impossibilidade de deglutição e enfraquecendo a respiração. O paciente pode também referir dormência ou parestesias (formigamento) nas extremidades e alguns casos referem dores também.
A intensidade é muito variável desde leve manifestação até casos com comprometimento mais severo, requerendo assistência respiratória em UTI. A maioria fica entre leve a moderada.
A evolução se apresenta em 3 fases: a primeira é da progressão, que vai de dias a 1 ou 2 semanas; a segunda de estabilização com mesma duração e a terceira de recuperação gradual. Esta é a evolução natural, mesmo quando não se dispunha de nenhum tratamento. O que acontecia era que a fase de progressão podia levar a estados muito graves com alta possibilidade de óbitos.
O diagnóstico é feito pela história, quadro clínico e exame neurológico que tem características próprias que permitem a realização do diagnóstico. Dois exames complementares corroboram o diagnóstico, mas apenas ao final da segunda semana: são o exame do líquor (líquido da espinha) e da eletromiografia.
O tratamento pode ser feito através de 2 modalidades, às vezes uma complementando a outra se uma delas não resolver sozinha. Uma é a aplicação de imunoglobulina humana endovenosa e a outra é a plasmaférese em que o sangue é drenado por uma veia, passa por uma máquina que o filtra e volta para o corpo novamente. Completa-se com cuidados rigorosos e assistência de especialistas em reabilitação.
Estas formas de tratamento mudaram a evolução da doença, abreviando a recuperação e evitando a piora e casos mais graves, embora ainda possam ocorrer raras fatalidades e sequelas importantes.

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