Neurologista CRM 770

Vitamina D em Esclerose Múltipla

Desde os fins do Século 19, os suecos já descreviam a possibilidade de deficiência de Vitamina D e de menos raios solares , tivessem influência na Esclerose Múltipla,  talvez por isso esta doença fosse mais incidente naquela região ( Escandinávia) do que em outros países europeus.
A Vitamina D  compreende um grupo de compostos,  sendo mais importantes a D2 e a D3. Esta vitamina tem seu efeito mais conhecido no metabolismo do  cálcio e dos ossos, recebendo muita influência de raios solares na sua produção.
Desde então, tem-se estudado sua  relação com a Esclerose Múltipla, mas apenas recentemente conseguiu-se demonstrar que a Vitamina D tem ação moduladora do sistema  imune,  que é o principal meio de defesa do nosso organismo. Portanto a sua deficiência poderia facilitar o surgimento de doenças inflamatórias e autoimunes  e agravar  a evolução, facilitando as recidivas e a progressão .
Inúmeros trabalhos científicos foram realizados e publicados demonstrando  que  a concentração  sanguínea  adequada da Vitamina D,  pode contribuir para redução do risco do aparecimento e da progressão da Esclerose Múltipla.
Em 2014 a Academia Brasileira de Neurologia, através de seu Departamento Científico de Neuroimunologia,  copilou o que havia de mais importante na literatura médica vigente e publicou uma série de recomendações a respeito  das dúvidas que haviam sobre o assunto.
Anunciou que era  recomendado realizar a dosagem da Vitamina D nos pacientes com Esclerose Múltipla. Se os níveis no sangue  estivessem abaixo de 30ng/ml deveriam ser corrigidos.  O nível  ideal não ficou estabelecido, mas considerou-se que acima de 40ng/ml devia  ser satisfatório. Não havia qualquer evidência  de que a vitamina por si só serviria como tratamento exclusivo (monoterapia) e não seriam recomendadas  doses muito altas da vitamina (que elevassem a mais de 100ng/ml o nível sanguíneo).
Trabalhos científicos e revisões mais recentes pesquisadas intensamente na literatura médica  (especificas para  doenças  desmielinizantes)  publicados e apresentados  em congressos,  não encontraram justificativas para modificar estas recomendações, conforme o Consenso Brasileiro para o Tratamento da  Esclerose Múltipla, publicado em agosto de 2018.
Portanto não se justifica tratar Esclerose Múltipla exclusivamente com vitamina D, mesmo em dose muito altas e que podem provocar danos a saúde.

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